Educação domiciliar impede formação de cidadãos

Educação domiciliar impede formação de cidadãos

O governo federal quer implementar a chamada EDUCAÇÃO DOMICILIAR, alegando que os pais podem ensinar mais conteúdo que a ESCOLA. As crianças, segundo esse projeto, seriam educadas em casa, prática denominada homeschooling.

Para os fomentadores desse modelo, o pai que senta com o aluno duas, três horas por dia pode estar aplicando mais conteúdo que a ESCOLA, durante quatro, cinco horas por dia.

Mas, não devemos acreditar na inocência dos que planejam colocar essa agressão à educação escolar em vigência. Trata-se de uma estratégia macabra para dificultar ou impedir a formação de cidadãos críticos, organizados, capazes de conhecer e lutar por seus direitos fundamentais e, uma vez críticos, exigir do Estado e de seus governantes que cumpram as suas tarefas, em defesa das igualdades.

Hasteamento da bandeira em escola pública do DF, em 1975, durante a ditadura

Ditadores como Mussolini e Hitler devem estar se remoendo em seus túmulos, invejosos de não terem pensado nesta artimanha, quando dominavam a Itália e a Alemanha, respectivamente. Eles sabiam que, queimando livros e a própria história dos povos, apagariam da memória os feitos dos que pugnaram em defesa das liberdades; sabiam que, manipulando informações, subjugando a Mídia e promovendo o culto fanático da “pátria”, do extermínio das minorias e da defesa da xenofobia, conseguiriam se perpetuar no Poder difundir as suas loucuras, pois, a capacidade de discernimento não se desenvolveria nas crianças e nos jovens, futuros cidadãos. Teriam sob seu domínio as massas de manobra.

Mas, apesar de suas mentes doentias, jamais tiveram a ideia de “desorganizar” a EDUCAÇÃO ESCOLAR da forma que nos estão apresentando agora. Limitavam-se a “patrulhar” o que era dito e ensinado nas escolas, para que o culto à pátria e às suas figuras ou ao que eles representavam fosse a verdade única a ser seguida por todos, sem discussão.

Ao se desestruturar a EDUCAÇÃO ESCOLAR, a organização social, a partir da ESCOLA não acontece mais. Desaparecem os grêmios estudantis, celeiros de líderes políticos em todas as democracias, sucumbem os conselhos escola-comunidade, impedindo a participação da Sociedade no processo ensino-aprendizagem. Desta forma, desaparecem, também, as reivindicações que tanto irritam os ditadores pelo Mundo afora. Formam-se robôs, fáceis de serem conduzidos pelos falsos “salvadores da pátria”.

Os grêmios estudantis fortalecem o protagonismo juvenil

A escola tem um papel fundamental na formação de um cidadão. Ela é o primeiro contato do indivíduo com um mundo “separado” da família. É nesse espaço que ele aprenderá a conviver com regras, burocracias, diferenças, grupos e toda uma estrutura similar à vida em sociedade. Essa vivência é fundamental para a sua formação cidadã.

Enquanto a família introduz a criança no universo dos direitos e deveres, a escola apresenta-se como um nível mais elevado dessa experiência. Nesse espaço, ela aprenderá a lidar com o que é da ordem do direito e do dever, tanto no nível individual quanto no nível coletivo.

A criança deveria, gradativamente, acessar legislações, partindo, por exemplo, das regras da sala de aula ― e da escola ―, até que seja capaz de acessar legislações nacionais. Compreender o uso desse tipo de documento é um quesito para a formação de um cidadão.

Paralelamente ao conhecimento teórico, é preciso que a criança aprenda como as suas atitudes interferem na coletividade. Ela deve perceber as regras como limites que viabilizam a convivência em sociedade e compreender que direitos e deveres são elementos de organização social, não de vitimização ou repressão.

A escola é o espaço ideal para que a criança compreenda a interdependência entre teoria e prática. O aluno precisa perceber que todas as matérias têm um sentido e uma função na vida, e que ele deve passar por conhecimentos diversos e etapas distintas para que desenvolva as capacidades de escolha e autonomia.

Assim, é preciso criar espaços para que o aluno participe de sua própria construção de conhecimento.

Congresso Nacional da UBES, cuja participação é aberta a qualquer estudante do ensino fundamento, médio, técnico e pré-vestibular.

Na formação de um cidadão, é papel da escola oferecer aos alunos espaços de fala, reflexão e expressão, valendo-se de estratégias apropriadas ao desenvolvimento dessas habilidades  que envolvem aspectos como: saber o momento de falar e ouvir, respeitar diferentes opiniões, embasar suas próprias opiniões, compreender a relação entre um problema e seu contexto, entre outros.

A realização de debates, competições e assembleias estudantis são algumas das formas de se possibilitar o desenvolvimento dessas qualidades nos alunos.

Violência, desrespeito, dificuldade de aprendizado, preconceito, entre outros aspectos conflitantes, atravessam o cotidiano escolar. Envolver os alunos na resolução de problemas, como os apresentados, por meio de projetos específicos, é uma forma de potencializar a formação de um cidadão.

Dessa forma, em lugar de serem apenas “corrigidos” ou “defendidos” diante das adversidades, os alunos se perceberão responsáveis por um ambiente de convivência saudável e produtivo para todos.

A família deve estar junto à escola. Por si, essa prática já é um exemplo de cidadania. Ela deve sempre estar presente e ciente de cada ação e intervenção da escola. Através do Conselho Escola Comunidade forte e atuante na vida escolar, ela se faz presente.

O papel da escola na formação de um cidadão é extremamente relevante, e esse tipo de formação é um dos atributos de excelência em educação. É o pilar de uma DEMOCRACIA.

Acabar ou minimizar a Educação Escolar é um ataque brutal à Democracia.

No Brasil, esse plano de desestruturação social por meio da desvalorização dos grupos estudantis teve início na utilização do ENSINO POR MEIO DE CRÉDITOS nas universidades,  estratégia implementada pelos governos oriundos do GOLPE MILITAR de 1964. Na época, reduziram-se os cursos superiores seriados e, como consequência, passamos a não ter mais turmas uniformes em cada série, desarticulando os movimentos estudantis. Enfraqueceram-se os diretórios acadêmicos. Para as ditaduras, essa é uma boa forma para despolitização dos estudantes.

Bem sucedidos na sua intenção, os “engenheiros da desmobilização social” criaram e fomentaram o Ensino à Distância, artifício de isolamento do estudante.

Agora, surge esse novo golpe.

Vamos acompanhar, com muito cuidado, a implementação de mais essa tentativa nefasta de IMPEDIR a organização político-social através da Cidadania.