1ª Parte do Grande Expediente 25/05/2016 Discurso 42ª Sessão

O SR. PROF. CÉLIO LUPPARELLI – Senhor Presidente, Senhores Vereadores, senhoras e senhores, no dia de ontem subi a esta tribuna para relatar um fato grave que está acontecendo no CIEP Carlos Drummond de Andrade, que se situa entre a Praça Seca e o Campinho, em Jacarepaguá. Falei, naquele momento, porque havia visitado por volta das 12h10 o CIEP e conversei com alguns poucos pais de alunos e com funcionários, também poucos.
O que constatamos é o que havia sido noticiado no jornal O Dia: que vândalos ligados ao tráfico de entorpecentes daquela área – Praça Seca, onde moro – estavam invadindo a escola, ameaçando professores, ameaçando funcionários, intimidando alunos, pais de alunos. E que esse fato, eu disse, não era um fato isolado do CIEP Carlos Drummond de Andrade, mas que vinha acontecendo. Chamei a atenção, inclusive, para o fato de que o colégio, o CIEP, está sendo invadido por esses delinquentes, não por alunos, mas por delinquentes, gente que não é da comunidade escolar. Gente ligada, portanto, ao tráfico de entorpecentes – repito – e que estava provocando a evasão de alunos e professores, com medo do processo que estava acontecendo lá.
Foi isso que eu disse aqui em letras claras. E que o que me causava espécie é que o terreno é o mesmo terreno da
28ª Delegacia. Algumas pessoas que estão presentes aqui ouviram. Foi isso o que eu disse. E disse que as escolas, as igrejas, os cemitérios, tempos atrás, eram respeitados até pelos bandidos. Mas que por erro, provavelmente, da sociedade, que não respeita mais essas instituições, os bandidos – ban-di-dos –, gente de fora da escola, e não da comunidade escolar, se sentia no direito, também, de invadir.
E aí eu gostaria que prestassem atenção para não falarem bobagem, prestem atenção para não levarem recado errado e depois falarem bobagem aqui. Um dos vereadores que eu mais respeito nesta Casa – eu respeito a todos –, um dos mais atuantes aqui no horário do Grande Expediente, atuante, bravo, guerreiro, sem dúvida é o Vereador Babá.
Respeito muito o Vereador Babá, e quero continuar respeitando, porque ele tem uma linha de ação que ele escolheu e que faz muito bem. A sociedade precisa de pessoas do naipe do Vereador Babá. Eu não quero me decepcionar com o Vereador Babá.
O Vereador Babá tem, repito, dignificado esta Casa, com suas posições. Pode ser que algumas das posições que ele coloca aqui eu até discorde – Isso é normal! -, mas ontem, para a minha surpresa, ele foi profundamente infeliz. E eu não estou aqui falando por mim, porque quem me conhece sabe da minha história, dos meus procedimentos e das minhas ações. Ele também tem ótimas posições, como eu disse, guardando as devidas proporções em relação a minha ideologia e a dele, com muitas delas eu comungo – muitas! Eu não quero me decepcionar. Eu quero continuar acreditando, como até hoje acreditei, no discurso do Vereador Babá, que é brilhante, repito. Ele, ontem, cometeu uma injustiça, acho, comigo.
Respeito as posições políticas e ideológicas do Vereador Babá. Concordo com algumas delas – até, em alguns discursos aqui, com a maioria. Exatamente por admirar os discursos do Vereador e suas intenções, resolvi vir a esta tribuna para restabelecer a verdade, ao menos por mim, porque os que me conhecem e os que ouviram atentamente o que falei ontem, aqui nesta Tribuna, não têm dúvida a respeito do meu procedimento. Para manter a minha avaliação, que é positiva, em relação ao brilhante Vereador Babá, eu quero dizer que, em momento nenhum, eu disse que os alunos que estão ocupando as escolas estaduais, num processo reivindicatório, são delinquentes. Eu falei do CIEP Carlos Drummond de Andrade. Está aqui no Diário Oficial, no Diário da Câmara Municipal. Está aqui. Foi o que eu disse: os delinquentes, gente de fora da comunidade escolar, ligada ao tráfico de entorpecentes, estão lá ameaçando. Não falei que quem está num movimento reivindicatório justo seja delinquente. Que isso?!
Então, o Vereador cometeu uma injustiça comigo. E cometeu mais injustiça com a coerência dele, que é um bom vereador. Não sei como é que ele tirou essa conclusão. Ele precisa ler, inclusive, o Diário de ontem, e vai ver o que eu falei. Deturpou. É preciso, portanto, restabelecer.
Outra coisa, Vereador. O Senhor, Vereador Babá, entrou aqui no mesmo dia em que eu entrei, no dia 2 de fevereiro de 2015, se não me engano. Embora o meu partido esteja aliado ao atual prefeito, eu, durante todo esse tempo, só tive duas audiências,
duas minguadas e céleres audiências com o atual Prefeito. O que é uma obrigação do vereador. Ele pode até não usar, se ele é da oposição e não quer conversar, tudo bem. Mas o Prefeito é obrigado a recebê-lo e ele é obrigado a levar as reivindicações do interesse público. Assim o fiz duas vezes em dois anos. E, lamentavelmente, tenho que confessar que nenhuma das reivindicações que fiz foi atendida.
Então, não é nossa prática. Quando nós resolvemos retirar a nossa assinatura do Requerimento da CPI, nós o fizemos. E eu desafio quem vá comprovar que eu tive algum contato com o Prefeito, até porque ele me respeita bastante, pela minha idade, idoneidade, escolaridade, ética, pela minha moral; ele não teria condições de me ligar para pedir isso. Decisão minha. Conversei na época com o Vereador líder do Partido, Cesar Maia, e conversei com Carlo Caiado. Nós três, cada um teve uma posição. E o Vereador Cesar Maia manteve a sua assinatura.
Portanto, dizer que o Prefeito teve alguma ligação para mim, não é bom isso. Toda vez que a gente generaliza, a gente comete um erro. Cada caso é um caso. Fomos quatro vereadores, embora só três tenham aparecido na mídia, quatro que tiraram os nomes.
Tudo bem, a imprensa fez o seu papel, nós demos a nossa satisfação ao nosso público. Portanto, se alguém tem dúvida, vá lá em nossas redes sociais e procure saber a razão. Ou me procure para conversar comigo. Agora, não é legal, não é bom generalizar, porque às vezes a gente comete injustiça irreparável, ou de difícil reparação.
Quero encerrar dizendo que continuo respeitando o Vereador Babá, tenho certeza de que ele é utilíssimo à sociedade carioca, pelos seus discursos de qualidade a nível estadual e até federal, para toda a nação brasileira. Mas eu peço que tenha cuidado, porque senão as pessoas são colocadas no mesmo balaio, como eu fui colocado, e não sou merecedor desse tipo de tratamento. Não comentei absolutamente nada a respeito dos atos reivindicatórios dos alunos que estão ocupando as escolas estaduais. Nada. É só procurar o documento que aqui está, que é cópia do DCM. Em momento nenhum tive conluio e não terei com ninguém do Poder Executivo.
Ainda semana passada, e agora para concluir, Senhor Presidente, eu vim aqui e denunciei o que estava acontecendo em Engenho de Dentro, em relação a uma obra que é boa, mas que estava perturbando, por falta de controle do trânsito, os motoristas, inclusive a mim. Convidei vereadores e até o Prefeito, o Secretário de Obras, para entrarem no meu carro e ver o sofrimento do povo. E ontem ao passar lá, realmente, o Secretário deve ter cobrado a instalação dos responsáveis pela obra, como nós já achamos. Tem que ser assim; não que a gente entenda de trânsito, mas existem agora duas pistas de rolamento facilitando o trânsito, e uma só para obra.
Ora, eu tenho a obrigação, se eu condenei a Prefeitura, que estava cometendo uma falha naquele momento, de agora chegar aqui e ter a altivez de dizer que ontem estava funcionando muito bem. Pode ser que hoje a bagunça volte. Então eu venho terça-feira novamente reclamar. Esse é meu papel, gente. Não misturem alhos com bugalhos.
Para encerrar, quero dizer que continuo respeitando, admirando o Vereador Babá, apesar das injustiças que ele ontem cometeu comigo.
Muito obrigado.