1ª Parte do Grande Expediente 19/05/2016 Discurso 40ª Sessão

O SR. PROF. CÉLIO LUPPARELLI – Senhor Presidente, Vereador Edson Zanata, senhores vereadores, senhoras e senhores, quando fui diretor de escola municipal, eu tive a oportunidade de praticar aquilo que eu sempre defendi – e continuo até hoje defendendo: praticar o diálogo, o diálogo com todos os segmentos, no caso, da comunidade escolar, pelo organismo que é o CEC (Conselho Escola Comunidade), composto pelo corpo de professores, pelos demais funcionários, pelos pais dos alunos, os alunos e até representantes das associações de moradores que atuam lá naquela região onde a escola está inserida.
E com essa prática nós tivemos um resultado – sinceramente – excelente! Eu digo nós, nós mesmos da comunidade escolar. Nenhuma pessoa tinha preocupação ou medo de chegar até nós e trazer os problemas. Porque sabiam todas as pessoas que seriam ouvidas e que poderiam contar que – evidentemente, se apresentassem situações em que nós tivéssemos que intervir para resolver aquela questão – nós estaríamos prontos a isso. Eu digo nós, no plural. Sempre nós.
Essa prática eu quis trazer para cá, como vereador, muito mais que um diretor de escola. Tenho uma abrangência, uma pluralidade, uma responsabilidade social e política de tal maneira que, quando você aponta um erro, significa que você está ajudando a administração, o Executivo e todo o seu colegiado: o Prefeito e os seus secretários. E eu estou fazendo essa introdução porque infelizmente o que a gente nota aqui não é isso. Toda vez que a gente aponta alguma coisa que vai servir até de alerta para o Poder Executivo, alguns com pensamento muito pobre acham que você está fazendo oposição. A oposição tem que existir, é claro. É obvio, mas não é assim. Toda vez que você apontar um erro, uma falha, não significa que você está fazendo oposição. Deve-se fazer oposição quando for necessário. Eu queria com essa introdução dizer o seguinte: é preciso nós praticarmos aqui exatamente o que eu estou falando: o diálogo entre os poderes. Eu queria convidar qualquer vereador desta Casa, que me der o prazer – um pelo menos – que me faça um favor terça-feira. Um vereador vai se dispor a entrar no meu carro – porque normalmente eu dirijo o meu carro – e vai comigo tomar um café com rosquinha de coco na minha casa. Um vereador ou uma vereadora. Vamos sair daqui às 18 horas. Eu estendo esse convite e gostaria de contar com o Prefeito Eduardo Paes, por exemplo. Aliás, ele já frequentou a minha casa, é meu amigo. Podemos até em alguns pontos ter pensamentos diferentes. Gostaria de ter também, por exemplo, o meu amigo, o Secretário Municipal de Obras, Alexandre Pinto. E também as autoridades que estão envolvidas com aquela obra que está na Avenida Mário Cavalcanti, em frente ao Engenho de Dentro. Nós vamos sair daqui às 18 horas no meu carro, eu dirigindo, por favor, terça-feira que vem. Mas se alguém não quiser esperar terça-feira, pode ir hoje – eu hoje também irei, mas só não tem o cafezinho com rosquinha de coco. Vocês vão ver o que é sofrer. Se sair daqui às 18 horas, vai chegar à Praça Seca como eu chego – na verdade, na Travessa Pinto Teles, entre Campinho e Praça Seca – às 21h30. Três horas e meia todo dia. Por quê? É uma obra maravilhosa, acabei de conversar com o Sebastião Ferraz, é uma obra importantíssima. Ninguém discute o valor da obra, a importância social da obra. O que está se discutindo é que tem que ter alguém ali com o espírito público para verificar o seguinte: não pode a obra estar abandonada depois das 17 horas. Eu passo depois das 18h30, 19 horas, 20 horas, mas dizem que a partir de 16 horas, 17 horas não tem mais ninguém.
E a fila é única, quando a gente percebe e olha, me desculpe a falta de modéstia, eu tenho cinco cursos superiores e 2 pós-graduações, mas não sei nada de engenharia. Mas não precisa saber para perceber que se tivesse um pouquinho de controle e boa vontade, poderia, ao invés de ser fila única, fila dupla, o que humanizaria mais a passagem das pessoas. É uma coisa triste, sem controle nenhum. Isso não é fazer oposição, pelo amor de Deus! Pelo amor de Deus! Eu estou convidando para entrar no meu carro terça-feira – repito; hoje eu não tenho cafezinho com rosquinha de coco. Mas, se quiser, vamos embora; 18h vamos partir a caminho de Cascadura e ver o sofrimento que é.
Então, eu apelo para as autoridades que controlem aquela situação ali em frente, porque, segundo o nosso querido S. Ferraz, que é o Vereador que milita mais ali na área, a obra já está há 6 meses. E quantos meses mais? Pelo menos que alguém fique ali controlando o trânsito, chegue aqueles cones um pouquinho para cá, facilite a passagem de duas filas de automóvel, de ônibus. É um inferno! E isso se reflete até o Maracanã. Você liga às 18h, esporte, e começa a ouvir o programa da Rádio Globo, Rádio Tupi, que seja; chega 19h coloca uma fita qualquer, e não consegue. Você fica se enganando e não consegue chegar a casa.
Portanto, o convite está feito e eu espero. Se ninguém vier na terça-feira, eu, na quarta-feira vou avisar aqui que a rosquinha de coco e o cafezinho não foram utilizados. Mas, eu até não preciso que vá lá. Basta que resolva o problema das pessoas.
Senhor Presidente, uma outra coisa que me chamou atenção, hoje, no jornal online, foi a seguinte notícia: “Ministro da Saúde diz que não vai controlar qualidade de plano privado”.
O Ministro da Saúde, Ricardo Barros, disse nessa terça-feira que não vai controlar qualidade dos serviços dos planos de saúde.
Segundo o mesmo, “ninguém é obrigado a contratar” pelo amor de Deus, Ministro! Pelo amor de Deus! Está começando mal! Isso não é fazer oposição o que estou falando. Das duas, uma: ou o Ministro é um humorista, está brincando, claro! Humor é bom; a vida está tão amarga em certos momentos, principalmente agora, ou o jornalista está mentindo, o que não acredito. Está aqui! E mais: para ele, o maior problema no setor de saúde suplementar é a judicialização, a onda de ações judiciais movidas por consumidores que exigem de planos na prestação de serviços que as empresas se recusam a oferecer.
Quer dizer, a culpa é de quem? Que está precisando uma cirurgia; está morrendo, aí um parente vai e entra com uma ação judicial. A culpa é do cara que está morrendo, e que não devia estar morrendo. Gente, isso aqui é o Ministro! Ou o Ministro está de brincadeira num momento grave da saúde. E ele quer o quê? Que a gente faça saúde pública só? Quem tem condição, infelizmente tem que ser refém do plano de saúde, sim; e o governo tem que controlar, sim. Então, para que governo? Nós vamos entrar naquela história de todos por todos. Quer dizer, nós vamos lá brigar, pegar lá um facão. Como é que se resolve isso? Tem o governo para isso. Governo é para controlar. Ninguém está querendo acabar, mas tem que haver uma disciplina, e quem disciplina é o governo.
Eu não sei se vou conseguir concluir, mas pelo menos, eu queria denunciar aqui o que vi, também, em outro jornal de hoje. “Estatuto do crime” dentro do Degase.
Não cagoetar, não cobiçar a mulher do próximo, falar a verdade, mesmo que custe a vida; não conspirar, respeitar a tia da cozinha, a tia da limpeza, as enfermeiras, e não abrir sorriso para verme.
O verme, segundo diz aqui o jornal, é o agente do Departamento Geral de Ações Sócioeducativas, Degase.
Essas são algumas das normas contidas numa carta que foi encontrada durante a revista de rotina feita, na última segunda-feira, pelos agentes da Unidade de Internação de Volta Redonda. A reportagem vai mais longe. Diz o Presidente do Sindicato dos Servidores do Degase, João Luiz: “É uma afronta ao estado.” Concordo . “Mostra um poder paralelo. Já encontramos cartas com ameaças de morte aos agentes e aos conteúdos ligados ao tráfico de drogas , mas nada com essa riqueza de detalhes e organização”.
Falência em relação a saúde, deboche do Ministro, brincadeira do Ministro em relação a quem infelizmente precisa de plano de saúde, e não é uma parcela pequena da população . Descaso e falta do estado no tratamento de adolescentes que estão em situação infracional, presos. Essa é a verdade no português claro. Descontrole da obra lá da Amaro Cavalcanti sem ninguém tomando conta. Tomara que comece hoje porque vou passar daqui a pouco lá, tomara que hoje comece o controle. Eu apelo, e não estou falando como oposição porque não me qualifico dessa maneira, sou uma pessoa a favor dos interesses do povo, sempre disse isso, no que o Prefeito estiver certo nós vamos aplaudir. E neste caso eu estou sendo um colaborador do Prefeito, talvez ele não saiba disso , talvez se ele entrasse no meu carro na terça-feira e fosse lá ele certamente tomaria uma posição contrária ao que está acontecendo lá. Certamente,aliás, não precisava ser esse prefeito, qualquer prefeito chegando lá saltaria do carro e diria: pera aí vamos começar a consertar. Isso é desumano, o que estão fazendo com a população que tem que passar na direção do Maracanã até chegar a Cascadura, Jacarepaguá, Madureira, é desumano.
Muito obrigado, Senhor Presidente!