1ª Parte do Grande Expediente 17/03/2016 Discurso 15ª Sessão

O SR. PROF. CÉLIO LUPPARELLI – Senhor Presidente, Vereador Edson Zanata, senhores vereadores, senhoras e senhores, hoje, estamos em luto em razão do falecimento da ética, da moral, dos bons costumes, da dignidade, do respeito pelos cidadãos brasileiros que construíram e que ainda constroem este país, do respeito pelas crianças, pelos adolescentes, pelos idosos. Tudo isso já estava no CTI há alguns meses em razão de agressões físicas e morais ao longo dos últimos 13 anos, mas esses valores não suportaram os últimos golpes contundentes e vieram a óbito.
Simbolicamente, Senhor Presidente, interrompo por alguns segundos minha fala para representar um minuto de silêncio em memória dos valores assassinados brutalmente.
Feita essa homenagem simbólica aos valores assassinados, por esse simbólico, repito, minuto de silêncio, eu continuo, Senhor Presidente.
Os criminosos que provocaram essas lesões fatais comemoram, certamente, com cachaça e champanhe em algum canto sombrio que escolheram para se deliciar pelo escárnio e pelo deboche com que trataram e tratam o povo brasileiro e seus desejos de mudança.
Venceram, no embate do bem contra o mal, a fraude, a desfaçatez, o deboche, a corrupção, a roubalheira, os conchavos, as jogadas espúrias, o enriquecimento ilícito e toda gama de atitudes delituosas e desrespeitosas para com uma população ordeira e trabalhadora, que está exausta de ver tanta safadeza por parte de autoridades públicas que se apresentam com um estampado cinismo e se fazem de vítima a ponto de irritar qualquer um, mesmo os que não acompanham diretamente as falcatruas desses delinquentes travestidos de governantes, empresários e políticos, falsos líderes, falsos protetores do povo.
Essa gente não tem verdadeira moral para estar no comando dos poderes da Nação. O que vimos ontem pela TV enoja a qualquer um. Não pode ficar como se nada houvesse acontecido. As gravações, as armações, os diálogos estimuladores de fraudes contra processos criminais, as ameaças aos membros do Poder Judiciário e a maneira vulgar com que se referem aos seus próprios delitos, comprovam que essa gente tem que ser presa, ter os seus bens confiscados e, por fim, devem ser banidos da vida pública.
Ao roubarem o dinheiro público, eles, esses malfeitores de terno e gravata e detentores de mandato causam as mortes nos hospitais que continuam sem médicos e sem os insumos para que possam atender aos pacientes. São, por consequência, homicidas, assassinos.
Ao roubarem o dinheiro público, eles, esses assassinos não permitem que as crianças e os adolescentes tenham os seus direitos preservados, matando toda uma geração. São, pois, genocidas.
Ao roubarem o dinheiro público, eles, os genocidas, não permitem o atendimento aos portadores de deficiência, aos idosos, e não possibilitam o justo provento aos aposentados. São bandidos!
E, depois de ignorarem todos os direitos fundamentais aos brasileiros em geral, consagrados em nossa Constituição, vale dizer, depois de não cumprirem o que manda a nossa Carta Magna e não oferecerem saúde, educação, salários dignos, aposentadoria, lazer, habitação, meio ambiente saudável e todos os demais direitos humanos aos cidadãos brasileiros, eles, esses bandidos reclamam em seu favor, o direito do sigilo ao sigilo das conversas telefônicas, conversas criminosas e levianas, por debocharem do povo, ou por servir para engendrar mecanismos para fraudar a ação da Justiça. Hipócritas, deveriam todos estar na cadeia.
Não podemos ficar calados! Esses malfeitores têm que ser condenados na forma da lei e cumprir integralmente, sem benefícios, as penas a eles imputadas. Ou o Brasil muda agora, com o povo nas ruas, ou o Brasil morre. Eu quero o meu país vivo e esses pilantras na cadeia!
Apresento aqui aos senhores três símbolos significativos para o momento fúnebre que vivemos. De um lado, o negro, que representa, neste contexto, a morte dos nossos valores, assassinados pelos delinquentes das armações ontem mostradas pela TV. De outro lado, o vermelho, que neste instante é o símbolo dos malfeitores e da quadrilha que nos assalta e mata, que quer acabar com todas as nossas esperanças e com a nossa história.
E, por fim, o símbolo que pode nos salvar, a vela que pode ter a chama que nos ilumine e que nos conduza a um destino melhor, livrando-nos desse pesadelo que se instalou há pouco mais de uma década e que vem sangrando o país, provocando uma anemia irreversível.
Essa chama é a luta do povo que deve ser imediata.

Muito obrigado, Senhor Presidente.